16/09/2004

Dádiva 

Dádiva

Teus lábios
Livres se abrem,
E oferecem doce caminho,
Ao desfrutar dos beijos,

Da tua boca molhada,
Transbordante e arfante,
Escorre,
Saliva doce que me inunda,
Se expondo aos meus sentidos,
Abrem-se as pernas sobre mim,
O calor de tua carne,
Me penetra,
Teus fluidos fartos me invadem,
Transmitindo-me a dádiva profana da vida,
Onde todos os desejos habitam,
Tenho infinita ânsia em te amar,
Sem qualquer constrangimento,
E compartilhar,te fazer sentir,
A felicidade desse momento.
Aura.



Sua opinião:

29/08/2004

Brincadeira 

Brincadeira

Me convidas para cama
E ofereces um brinquedo,
Folguedo,
Em teu ventre, lambe e corre,
Roda-Roda em teu umbigo
Abrigo,
Mordiscar os teus mamilos,
Escalar os montes dos teus seios,
Enleio,
Brincar com as tuas pernas,
Afasta-las em vitória,
Que glória,
Cavalgando tuas nádegas,
Como amazona apaixonada,
Me sinto,
Me vira, rende e me explora,
Mãos e língua me devora,
Consinto,
Nossas mãos entrelaçadas,
Nossas vulvas encaixadas,
Espero,
Teu abraço convulsivo,
Singelo, forte, completivo,
Te chamo,
Te amo,
Te amo,
Te amo.

Aura



Sua opinião:

24/08/2004

Conto e Poemas 

Amigos, a nossa colega Ingrid enviou mais um conto e dois poemas de sua autoria , leiam e comentem
Um abraço
Aura
Vidraças


Ato I
Cinzas. Vidraças nebulosas, não se enxerga a noite. No emaranhado de tantas certezas, outras incertezas. Por que a busca no outro? Enlaçar seus fios em outros fios dos quais não lhe pertencem? O quarto fecha-se cada vez mais em solidão, e os demônios das incertezas me estrangulam na noite.
Vidraças ameaçadoras podem se desfazer no meu punho. Estilhaços. O meu corpo pulsa ritmado, a voz desbota, o olhar encharcado gela. Será que as pessoas podem viver, com-viver sozinhas? Por que o outro? Ninguém responde apenas deseja esse “outro”. Quero ficar sozinha, preciso ficar sozinha.
Fui engolida.
O chá esfriando, não me sangro, me engano. É diferente. Ouço o grito reprimido, mas pontas dos meus dedos, sentido o tempo se rastejando na encruzilhada.
Obscuro, escuro? Talvez um furo. Exato. Faço um furo pequeno nas pontas dos dedos, e deixo desaguar as dúvidas.
Acendo uma vela na escuridão, percebo o passado tão presente. Quase cortei minha mão no passado-realidade-dolorida. Resguardo as mãos para futuras carícias ou consolo. Sozinha.
Tento desfiar os fios do novelo, mas o fio cresce, persiste em enrolar, me prender a pretensões. Entregam-se as folhagens nascentes, elas crescem, te esquecem, procuram novas...Ramificações. Essa entrega é o amor? Claro que não. Mutilação das bases teatrais de nós mesmos.
Parem.
As flautas começaram a tocar, deixem-me ouvi-las, demônios. Deixem-me. Mahler soa descontínuo em sinfonia, sinto o sustenido no sopro da pauta em sol e ré.
A nebulosidade me aflige, limpem as vidraças, quem está do lado de lá consegue apreender os segundos e a sonoridade das notas facilmente.
No desespero arranco o relógio da sala, perturba o tempo batendo na cara lhe cobrando ação, lhe empurrando até a encruzilhada. Dou as cobranças àqueles que comeram do meu prato sem licença.
Preciso limpar as vidraças. Enlaçadas, preciso.
Por que muitas mulheres temem as baratas? Insetos insignificantes? Deviam temer seus impulsos, seus desejos, seus amores...Amor?
Amor.
Voltei ao início. Re-iniciando, re-aprendendo. Amar? O que é o amor? As manchas cicatrizadas não me respondem. Será que você tão perto, tão vivo, sabe a resposta? Responda. Todos querem saber. Vêem-se nos olhares a ansiedade pela resposta. Responda-nos rápido. Por que a insegurança? Eu estou insegura diante das dúvidas, entende? Responda, logo, o contra-regra vai fechar as cortinas, e as pessoas podem ser engolidas em suas dúvidas como eu fui...Você também procura pela resposta?
Ato II
Cerraram as cortinas, aqueles que esperavam uma resposta foram engolidos.
Não estou sozinha nessa dúvida. Sei. Contudo, porém, entretanto, no entanto.
Enquanto lhe indagava a respeito do amor, o punhal me cortara as costas, tirando de mim a auto estima. Limpando as certezas. Agora sinto a dor queimando, bebida doce de fundo ácido enxugando o chão molhado de perfume branco. Escadas. Rezei de mãos dadas comigo, amenizando o etílico da fruta-traição.
Bebo o chá frio, desce rubi na mudez de minhas palavras. Deságua estilhaços.
“Foi quem sabe, nossos discos, nossos filhos...”. Cantarolo Elis à noite.
No entanto, cartas-promessas, falsas encenações. Beckett não podia ter
se envolvido nessa relação, vá embora. Não espero mais por Godot, um personagem que me envenenou em seus mistérios, histórias. Espero por mim. Chegarei nua espiritualmente, molhada pelo sol, para me abraçar.
Quebro as unhas ao arranhar com fúria as vidraças, preciso da transparência de caráter, de sanidade. O soluço não permite que eu fale. Preciso falar. Alguém pode me ouvir?
Necessidades podem ser supridas, substituídas em alguns goles de momentos. Mas...E depois? O depois emerge na solidão, na cama vazia, nos livros e discos esquecidos, nas conversas adiadas. Adiar causa ansiedade verde. Gosto de consumir o sabor maduro do vinho escorrendo no peito.
...
Vazio.
Pensamentos complicam as carícias sinceras, a desconfiança da confiança ali esperando uma chance.
Lavando seu corpo vejo o reflexo oculto, justo demais na cintura, apertado demais nos ombros, revelando a verdade que eu não queria enxergar. Meu Deus, as vidraças estavam mais nebulosas no inverno rigoroso-doloroso-saudade, não me vi morrendo, não te vi perdendo. Nos perdendo.
Um inverno indefinido nasceu em mim, chuvas ásperas arranhando transeuntes, uma defesa para as minhas raízes contorcidas, frias. Acabou o verão, o outono é uma recordação dos velhos cadernos colegiais. Fiquei com o inverno perene machucando os lábios.
Carregaria sandálias na ilha, leve em minhas mãos, vestido solto suave amaciando o corpo, com o tempo claro demais, nesse perfume crescimento. Cresço. Seco o veneno das costas com calma, amanhã sentirei apenas a textura do passado costurada em mim. Esqueça as vidraças.
Atos noturnos impensados, muitos temporais sobrevêm através das vidraças espalhando cenas fragmentadas de um violino, Vivaldi.
Preciso me cortar, impulsionar o corpo contra a parede, deixar expelir o veneno ainda quente de mim. Culpar-te, nos culparmos, me perdoar.
E o amor?
Expirou.
Desmancha no solvente, solução aquosa misturada ao oxigênio, esfriou como o meu chá. Devolvo a solução às veias correntes, descasco a liberdade ressentida. Ressequi-se?
Nascer.
Quanto mais observo as vidraças, mais me reconheço, e me enrolo. Complico os detalhes, almejo uma resposta. Alguém responda. É tão difícil assim? E quem sabe? Ninguém.
Nebulosas as vidraças continuam a me agredir. Fiz a minha escolha, quero respirar.
Vidraças.
Quebro-as. Me rompi.
Estilhaços.


Embriaguez

Eu me embriago
da poesia maldita
Que corrompe
Com todos os valores
morais e sociais
Da poesia profana
Que está nas bocas pintadas
de vermelho
Da poesia menina
pronta para o mundo
Não pode ser assim, menina.
Quando estou embriagado
Perco o sentido das palavras,
Tudo é em vão
A folha ri de mim
Não pode ser assim
O papel em branco na frente
E a poesia correndo, ligeira,
Sem dó, nem piedade.
A embriaguez
Se nutre da garrafa
De palavras soltas
vulgares
perdidas...
Bebo da poesia
No beco dos aflitos,
dos deprimidos
Mergulho
E caio de cabeça
Na poesia
Profundamente
embriagado
consumido
Nessa embriaguez.


A faca
Sujo
Obscuro
A faca quebrando o vidro,
derretendo.
Quero morrer sem deixar vestígios
A faca rompeu o vidro
Minha alma se derreteu.



Ingrid Helena Morandian




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02/08/2004

A Presença 

A Presença


Eram oito e meia da noite, véspera de feriado. Os funcionários da Casa Mário de Andrade já haviam ido embora. Permanecemos somente eu e o Gilberto na recepção. Resolvi ficar até mais tarde para terminar de catalogar uns livros.
Fatigada, recostei-me em uma das estantes, relancei o olhar pelas lombadas dos livros, e ao acaso retirei um manuscrito datado de 1922, sem título.
Folheando as páginas amarelecidas, mergulhei na história, que falava sobre um casarão abandonado na Barra Funda. Fascinada, rendi-me ao prazer de ler.
Interrompi a leitura ao ouvir passos na escada. Aguardei até que o Gilberto entrasse, e nada. Retomei a leitura onde o narrador, um jovem de dezessete anos, relatava como conseguira entrar no casarão acompanhado dos amigos.
Novamente os passos, e desta vez vindos da sala contígua a minha. Assustada, soltei o livro no chão, prestava atenção se ouvia algo mais.
Imediatamente, liguei para a recepção, e perguntei ao Gilberto, se alguém havia subido. Não, a Casa já estava fechada. Desliguei o telefone aflita.
Dali a pouco, ele subiu, e contei-lhe o que ocorrera. Ouviu-me atento, levou a mão à testa meditativo:
— Deixa pra lá, deve ser impressão sua, a casa é muito antiga, o piso estrala... — respondeu com a sua calma tibetana — Eu já estou indo, deu o meu horário. — olhando para o relógio.
—Você já vai Giba? — perguntei tentando esconder o meu nervosismo — Pode ir, eu vou dá mais um tempo por aqui.
Ele desceu as escadas calmamente.
— Não esqueça de trancar o portão. — gritei do corrimão, enquanto o som da porta se fechando rompia o silêncio.
Olhei ao redor, respirei fundo, fui até a sacada fumar. Avistei as janelas do prédio em frente, que descortinavam cenas do dia a dia, crianças brincando, uma senhora assistindo televisão, um casal...Senti a presença de alguém, voltei-me, o vazio. Continuei apoiada no parapeito, observando o movimento na rua.
Um arrepio percorreu todo o meu corpo, o medo. Soprei a fumaça do cigarro. Eu tinha a nítida sensação de que havia mais alguém na Casa.
Devagar, retornei a sala, a porta estava entreaberta, um cheiro forte de charuto, o coração disparou, minhas mãos úmidas.
Entrei, perpassei o olhar, ouvi o folhear de páginas, na sala dos fundos. Lentamente fui aproximando-me, o coração pulsando, tomei coragem, e dei o último passo em direção a porta.
A surpresa, o manuscrito sobre a mesa. Ele compenetrado folheava as páginas do original. Quando entrei, ele ergueu a cabeça, abriu um largo sorriso, vestia um terno cinza escuro. Levantou-se, entregou-me as páginas com cuidado, segurando minhas mãos, me olhava com ternura. Beijou-me a testa, e saiu. Fiquei estática por um momento, sem saber o que fazer. Corri até a sacada, avistei um Ford T virando a esquina da Lopes Chaves com a Mário de Andrade.
Ingrid Helena Morandian



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Paredes 

Paredes


a Márcia Denser



Mulher determinada.
Teus traços são fortes, marcados a pena pelo nanquim.
A boca remete a um desejo. Cabelos envoltos em dourado são curtos. Os olhos selvagens se perdem em algum ponto do chão, ou será em algum ponto do nada? Sobrancelhas marcadas delineiam o rosto dessa mulher, que se cobre de negro e ouro, negro e mistério, negro e sensual. As unhas finas, pintadas de doses cintilantes.
A fala é suave, palavras sonoras, a umidade e humildade me encantam nessa mulher. Quero te conhecer.
Teus gestos são masculinos e femininos, um convite a uma dança. Dizem tudo e nada. Danças o pecado da metalinguagem.
A pose masculina me atrai e distrai.
Essa descontração ao sentar-se, pernas cruzadas, é uma cena de Fellini. Solta na cadeira revela um homem, que escondes na sombra feminina. Forte personalidade de Greta Garbo.
Garbo é teu codinome. Chamo-te.
Sinto a fragilidade em teus dedos ao segurar o cigarro. Sexy, sensual. Sussurros, um canal. Uma busca incessante em tua alma.
Quero tua essência, beber tua cultura, me embriagar em tuas palavras.
Liberte-se, mulher, não temos nada a perder. Quero te ganhar. Eu sei.
Teus olhos escondem um segredo, vou te seduzir, rasgar tuas roupas.
A mão passeia pelo cotovelo no balé dos contos. Conte-me o segredo.
Perco-me em desvenda-la, quebrar as paredes que a cercam.
Labirinto.
Corro, busco, corro, socorro.
Arranquei todo o negro que te banhava. O homem e a mulher. O mistério. A pele. A ansiedade. A dor.
Arranquei Márcia Denser das paredes. Denser. Denser. Denser.




Ingrid Helena Morandian




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Four Hands - 9º Parte 


Parecia uma eternidade, quando despertei lembrei do segredo que minha mãe não me contara, também foi muita coisa para um dia só, ela me aceitando, contando sobre Elisa, mas de agora em diante teria que viver com a desconfiança de que algo muito ruim estaria por vir. São 3 horas da madrugada e nada de Elisa, vou a sala e a cozinha a casa vazia, o telefone toca é ela com a voz rouca diz:
_ Estou bem, não me espere. Desliguei o telefone sem dizer palavra, abracei-me aos joelhos, senti um frio, uma lágrima solitária me veio fazer companhia.
Fui à aula sem um pingo de vontade, esqueci completamente que aulas teria, aquela frase ficou martelando a minha cabeça...
Esbarrei com Ana no corredor, que vendo a minha cara, me levou para tomar um café na cantina. Está tudo bem, você pelo jeito não dormiu nada e esses olhos sem brilho, quer conversar?
Era tudo que ela não precisava uma professora abelhuda. Mas estava ali tão frágil que acabou dizendo que estava preocupada com a prima que não voltou em casa desde ontem cedo e só telefonou de madrugada com uma voz
estranha...Ela deu de ombros e interrogou novamente é só isso mesmo?
_Talvez, preciso ir estou atrasada e saiu dali.
Ana ficou pensando e pensando, o sinal tocou e ela rumou ao laboratório de física.
Primeira aula, hoje ela ficaria com a turma de Júlia por quatro aulas, nunca dera importância àquela menina, inteligente mas pouco falante em suas aulas, como comentavam os professores de história e português, que ela dominava a matéria que era muito participativa, mas tinha um algo mais por trás daquilo tudo.
Sua fisionomia mudara quando Helena entrou a sala as duas já familiarizadas, trocavam risinhos e piadinhas enquanto Elisa não perdia o foco em Ana, pressentia que a professora não demoraria a interceptá-la novamente na escola ou nas ruas do bairro, ficou sabendo que ela se mudara para a Rua Maria Antonia,certamente encontrá-la seria uma questão de tempo e o que dizer ou fazer ? Resolveu esquecer.
Enquanto isso Elisa, procurava, por entre as coisas do pai, algo, lembrara de uma discussão entre seus pais um pouco antes da morte da mãe onde ela dizia que ele não tinha o direito de fazer com Elisa o que tinha feito com ela, que a filha deveria ser feliz como bem desejasse, a frase foi cortada por um tapa, o choro farto.

A frase que ecoou.

_ Nunca!







Sua opinião:

Four Hands - A segunda temporada 

A segunda temporada estã saindo do forno...

Abs,

Déia



Sua opinião:

15/07/2004

Esperando você chegar  

Eu fico esperando você chegar,
Você não vem...
Minha vida por entre meus dedos,
Mas eu espero.
Viajem.
A lua cresce, fica cheia
Uivo pra ela em apreciação.
É noite.
As criaturas passeiam por entre as sombras
Anseio...
Você chega e não me ve...
Espero...
Meu nervosismo faz com que me esconda.
Escuro...
Você se vai eu nem disse o que queria
Engasgo...
As palavras continuam presas na garganta...
Gaguejo
Digo teu nome, pro vento, pra lua, pra noite
Você se foi, mas você vai voltar...
Tudo bem, eu espero.

Biss



Sua opinião:

01/07/2004

A mulher de bronze 

A mulher de bronze

Fim de tarde em Copacabana. A mulher de bronze vinha caminhando descalça pela orla onde as ondas lambem a areia.
Carregava as sandálias nas mãos e uma bolsa de tecido á tiracolo.
Foi quando ela viu Larissa lendo o jornal numa cadeira de lona, aproximou-se:
- Você pode tomar conta das minhas coisas enquanto eu dou um mergulho?
Ela tirou a canga em tons de verde e mostrou o corpo perfeito como uma estátua de Rodin dentro de um biquíni amarelo.
Larissa ficou observando a moça entrar no mar, dar algumas braçadas de peito e depois de costas. Parecia Feliz. Ela se distraiu por um momento, olhando o vôlei de praia. Quando olhou novamente, a mulher de bronze havia sumido. Não estava na água, nem à direita e nem à esquerda. Logo aparece ela pensou e ficou esperando. O vôlei terminou, o sol se pôs e anoiteceu. Olhou o relógio; sete horas; achou que ela não voltaria mais. Teve um pensamento sombrio, seria uma suicida? Bobagem, quem vai se afogar não pede para guardarem suas coisas. Fechou o jornal, dobrou a cadeira, juntou as coisas dela e andou até a delegacia que era próxima dali.
O policial de plantão achou que ela era alguma maluca que se queixava.
- Antes de 24 horas não podemos considerar como desaparecimento. A senhora conhece a moça? Então porque está tão preocupada? Se sumiu o problema é dela.
Larissa fuçou na bolsa da moça e descobriu o endereço na carteira. Era de um prédio na Belford Roxo, perto da delegacia. Chamava-se Cristiana, bonito nome. Ela resolveu ir lá devolver as suas coisas de. A moça loura que a atendeu no apartamento não ficou assustada com o sumiço de Cristiana.
-Pode deixar comigo que eu entrego quando ela aparecer.
Larissa voltou para seu apartamento na Avenida Atlântica, fez um breve lanche e foi dormir cismada.
No dia seguinte ainda intrigada com Cristiana, resolveu voltar ao mesmo lugar na praia no mesmo horário. Cochilou um pouco e um leve ruído na areia a despertou: ela estava ali em pé, como mesmo biquíni amarelo e o corpo de bronze molhado.
- Guardou as minhas coisas?
- - Você sumiu, então fui na sua casa e entreguei suas coisas para uma tal de Márcia.
- Tudo bem, obrigada, você foi muito gentil exclamou Cristiana olhando para Larissa com seus olhos verdes e penetrantes.
- Ontem a correnteza me arrastou para longe e um turista dinamarquês me salvou e me levou para o hotel, passei a noite com ele e estou chegando agora.
Ficaram sentadas quietas, lado a lado, curtindo a brisa marinha do final de tarde.
De repente Cristiana levantou toda animada:
- Esta passando Dogville num cinema aqui perto, se a gente correr dá para pegar a sessão das seis. Quer ir comigo?
- Foram.Na porta o bilheteiro falou mal humorado para Cristiana:
-Assim de biquíni não dá para a senhora entrar não!
Ela disse para Larissa esperar com as entradas, saiu e voltou após 10 minutos vestindo um justíssimo short de jeans e camiseta colante que deixava transparecer o contorno de seus mamilos castanhos. Na sala escura acharam dois lugares bem no fundo e sentaram. Cristiana começou acariciar a perna de Larissa e avançou na caricia, abrindo o zíper de sua bermuda e mergulhando fundo a mão em seu sexo, Larissa cedeu e se entregou ao desejo abrindo as pernas facilitando os movimentos da mão de Cristiana.
Larissa gozou um gozo contido e mudo, com medo que alguém percebesse o que estava acontecendo.Ela tentou devolver a carícia que Cristiana rejeitou delicadamente cruzando as pernas. No final do filme de conclusão apoteótica repleta de ironia impiedosa, Cristiana chorou.
Larissa a puxou para si e beijou sua boca com gosto de mar.
Terminado o filme, Cristiana pediu para esperar um pouco e entrou no toalete.
Larissa ficou mais de 10 minutos no sofá, a sessão seguinte começou e nada de Cristiana aparecer. Ela foi até o toalete e descobriu estupefata que estava vazio.
Impossível que a moça saísse sem que ela visse. Ainda voltou á sala de projeção para ter certeza que Cristiana não estava lá. Sem entender o desencontro saiu do cinema tentando imaginar porque e como ela teria desaparecido.
No dia seguinte foi procura-la na Belford Roxo, e um outro porteiro do prédio disse que lá não morava nenhuma Cristiana ou Márcia.
Ela achou que havia se enganado de prédio e desistiu de reencontrar Cristiana.
Quando já tinha quase se esquecido da mulher de bronze, deu de cara com ela na calçada da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, linda como sempre, com os cabelos negros soltos pelas costas, vestindo uma calça branca e uma blusa rosa que deixava o umbigo á mostra. Larissa a segurou pelo braço e disse uma tanto irritada:
- Porque você sumiu do cinema naquela noite sem avisar?
- - Eu sou assim mesmo, gosto de aparecer e desaparecer de repente, sem um motivo especial. Mas é bom assim você não enjoa de mim, disse sorrindo. Você tem que me aceitar como sou ou então é melhor pararmos por aqui.
- Mas Cristiana fiquei preocupada, pensei que íamos fazer algum programa depois do cinema.
- Não! Só vou ser inteiramente sua quando você me desejar mais do que qualquer coisa na vida.Agora tenho um compromisso e já estou atrasada. Qualquer dia a gente se encontra por aí.
- Me dá o seu telefone. Ou então eu passo no seu apartamento...
- Briguei com a Mara e não moro mais lá. Ainda não tenho telefone, mas fique tranqüila eu sei onde encontra-la.
- Mara? O nome dela não era Márcia?
Márcia, Mara, o que importa? Já briguei com ela mesmo.
Dito isso Cristiana beijou levemente os lábios de Larissa e afastou-se com um sorriso, deixando-a estática na calçada sem saber o que pensar.
Umas duas semanas mais tarde Larissa Flamenguista fanática foi assistir um clássico no Maracanã do Flamengo e Vasco e ela estava lá umas doze fileiras acima dela nas numeradas numa camiseta rubro-negra ao lado de uma turma de torcedores uniformizados. Larissa concluiu feliz que esse encontro era mais do que coincidência, pois Cristiana era Mengo também. Ela fez sinais para chamar a sua atenção. A mulher de bronze fingiu que não viu.
Ela abandonou seu lugar e subiu as escadas correndo, mas quando conseguiu se aproximar ela não estava mais entre a torcida uniformizada. Ela sumiu como que por encanto e não voltou até o final da partida.
Outro dia, viajando no metrô ela vislumbrou Cristiana de pé numa estação pronta para embarcar ela saiu lutando contra a maré humana que entrava no vagão e correu para o fim da estação olhando pelas janelas na ânsia de encontra-la. O metrô fechou suas portas e partiu e ela ainda pode vê-la no ultimo vagão, lhe acenando e sorrindo como sempre.
Sempre que começava a se esquecer da misteriosa mulher de bronze, ela dava um jeito de fazer uma aparição fugaz e desaparecia novamente.
E quanto mais isso acontecia, mais Larissa queria reencontra-la. Começou a fazer caminhadas noturnas pelo calçadão dizendo á si mesma que precisava de exercícios e que aquilo era bom para a saúde, mas no fundo sabia que sua única motivação era a esperança de ver Cristiana novamente. Larissa já estava perdidamente apaixonada por ela.
Uma vez Larissa estava de carro pela linha amarela, quando foi ultrapassada velozmente por um carro preto e viu que era Cristiana que estava dirigindo, não pensou duas vezes, pisou fundo e arrancou em seu encalço quando conseguia se aproximar via os olhos verdes de Cristiana que a fitavam pelo espelho retrovisor e acelerava mais. Ela estava a mais de 140km/h quando levou uma fechada e perdeu a direção seu carro e rodopiou na via e por pouco ela não se envolveu num acidente fatal. Mas perdeu Cristiana novamente.
Desesperada, resolveu não pensar mais naquela mulher que parecia estar se divertindo á sua custa. Tentou se interessar por outras mulheres menos fascinantes, porém mais previsíveis, mas não conseguiu.Passou a ficar mais em casa sempre sonhando com Cristiana.
Numa tarde de domingo, quando o sol se escondia por trás do edifício luxuoso onde morava, ela olhou pela janela que dava para a praia de Copacabana e viu a mulher de bronze sentada sozinha e pensativa num banco da calçada, vestindo o mesmo biquíni amarelo do primeiro encontro. Embora ela estivesse olhando para o mar, Larissa teve certeza que era ela. Desceu as escadas sem chamar o elevador e enquanto saltava os degraus de par em par, ia se dando conta de que olhar no fundo daqueles olhos verdes, tocar mais uma vez naquela pele de bronze, sentir aquela mão novamente dentro de si, beijar aquela boca com gosto de mar, tinham se tornado as coisas mais importantes da sua vida.Precisava falar com Cristiana e dessa vez iria lhe dizer que não mais podia viver sem ela. Pouco lhe importava conhecer o seu passado, seja lá qual fosse a sua história ou o que ela pensava sobre ela, sobre a vida, não importava.
Ofegante deu um suspiro de alívio ao chegar ao térreo e ver que ela ainda não havia sumido como das outras vezes.
Atravessou correndo a avenida sem olhar para os lados.
Os olhos verdes da moça de bronze que a fitavam fizeram-na compreender naquele instante o significado de suas aparições, numa fração de segundo, Larissa reviu sua vida passar em sua mente, e relembrou-se de fatos passados extremos onde a mulher de bronze parecia estar sempre presente... Tão imersa estava nesses pensamentos que não ouviu a freada do carro sobre si.
A imagem dos olhos verdes de Cristiana ficou gravada para sempre na sua retina dilatada no meio da poça de sangue na Avenida Atlântica.
Aura.


Sua opinião:

four hands 

Personas,


Meu Pc está em manutenção e os post para o blog, estão por lá, bem não se preocupem , pois nao vou perder os dados, já que eu mesma cuido da saúde do bichinho. Mas só vou ter todas as peças para ele, na próxima semana, por favro aguentem mais um pouco.

Abs,

Déia


Sua opinião:

23/06/2004

noite sem fim 

Voltei pessoal lá vai poeminha,

Ah! Noite sem fim...
Nessa hora tão esperada,
Tua boca me suga ávida,
as últimas gotas da paixão desenfreada,
no movimento ondulado de nossos corpos,
minha mão procura tua vulva enxararcada
e te penetra dedos,
Você se dobra em arco,
arco iris de prazeres liberados,
Ah ! Noite sem fim...
de amores consumados.
Aura.




Sua opinião:

03/06/2004

Four Hands - 8º Parte 

Mas eu desconfio.

_ Me diga então?
_ É uma grande estória, conte o que conversamos a Elisa, afinal de contas vocês vão precisar de ajuda, e como anda a festa?
Fiquei com aquele sentimento de encrenca no peito, mas esqueci dele quando começamos a falar da festa, música, cor, gente bonita, uahuuuuuu! Vai ser o máximo.
Me despedi e até parecia que eu a pirralha já tinha minha própria casa juntinho com a minha amada, mas se dependesse de mim isso seria fato.
Em casa nada de Elisa, somente o vazio daquela meia conversa, como se tudo fosse resolvido com o estralar dos dedos...Adormeci.

Final da Primeira Parte.


Bom espero que vocês estejam gostando, enviem seus comentários e deêm sugestões, para o restante da trama que está eletrizante.

Tchau... Déia


Sua opinião:

28/05/2004

Four Hands - 7º Parte 

O almoço segue tranqüilo, risos, brincadeiras e presentes, mas eu precisava falar, estava me sentindo muito feliz, por estar ao lado de Elisa, não poderia guardar isto só prá mim e voltei ao assunto dos namorad@s.
_Sabe mãe, quando você me perguntou se eu me interessava e ela completou
_ Por meninos ou meninas, me conta.
_ Meninas, os meninos são só grandes companheiros de farra
_Curiosa e sorridente, ela cruza as pernas e assenti com os olhos
Suspiro de alivio afinal de contas, ela está sendo ao menos gentil e não saiu aos berros. Contei sobre os meus olhares espichados para uma garota da escola, mas para não dar tanta bandeira lhe omiti o nome, afinal de contas ela era amiga da mãe de Helena.
_ Júlia e você e sua prima?
Fiquei espantada como assim?
_ Estamos bem, sempre nos demos bem desde que mudamos prá cá para você poder cuidar da tia Carla.
_ Eu sei, e sei também que a Júlia como você também gosta de garotas, não precisa ficar espantada, eu e sua tia não tínhamos segredos, mas eu demorei muito a aceitar a idéia que a Elisa seria uma lésbica quando adulta, mas outro dia eu estava na banca da Villaboim e a vi passeando de bicicleta com uma garota ruiva.
_ Açucena
_ Você a conhece?
_ Estava na festa, estudam juntas
_Vi como elas combinavam, cansadas sentaram-se na praça próximo ao viveiro dos pássaros e trocaram olhares...
_ Mãe você ficou espionando?
_ Porque o espanto Júlia? Elas queriam ser vistas, é verdade que seu eu não soubesse do detalhe de sua prima eu nunca diria que ela é dyke.
_Caí na gargalha, mãe onde você aprendeu isto?
_ Como eu disse sua tia me preparou para o que você me contou hoje e que dentro de mim eu já sabia, mas não queria acreditar, mas eu li, fui a Internet e passei a acompanhar a vida de sua prima, mais de perto mesmo ela não sabendo afinal de contas foi a única coisa que Carla havia me pedido.
Nos abraçamos e choramos juntas por um tempo, mas eu não poderia esconder que amava Elisa.
_Mãe...
_ Diga filha!
_ Eu e a Elisa... Minha voz tremia
_ Continue
_ Eu a amo, mãe é isso, eu a Elisa sempre nos amamos, sempre andamos juntas, mas nos separamos depois que ela aprontou na escola e a Açucena a chantageia, mas eu não sei o porque desta pressão.

PS: Leitoras assiduas... Desculpem-me, mas ontem não pude colocar a atualização no ar.


Sua opinião:

21/05/2004

nas ondas do láudano 

2-

olhando pela janela do trem, observando a paisagem, ora preta, como carvão, ora laranja cor de tijolo, ora cinza como concreto, a louca língua toma e conduz ao seu interior úmido, quente, arfante e vaporoso, uma feira de multi faces que olham a paisagem,
desatentas, ligadas entre si por uma única linha tênue, um cordão lingual salivoso, prestes á romper ao menor movimento, sobram gestos contidos e olhares temerosos, que se cruzam sem se tocar, bailando no infinito pequeno espaço do seu diâmetro, que se move no meio do nada, gingando ao sabor dos trilhos, num passo ritmado e contínuo, despreocupado.
Freia.
O guincho se ouve, desacelera, tumtum, tumtum como um coração, bamboleia e dispersa a condensação, o visgo do cordão se liquefaz, e como água cai ao chão, acordam multi faces únicas agora, a porta se abre e se vislumbra o céu, plataforma da estação, embarcam em outra multidão, corredor de asfalto, o sinal vermelho diz pára.
Silêncio. Atravessam incólumes, transeuntes da solidão.

Aura


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